segunda-feira, 19 de julho de 2010

Japanenglish

O mais engraçado é tentar descobrir o que os japoneses estão tentando falar em inglês.

Eu coloquei algumas palavras em romaji, então leia do mesmo jeito que você leria em português. Lembrando que o "r" tem som da palavra "cara" e o "h" do erre na palavra "rato". Tentem cobrir a coluna da esquerda antes de ler a "tradução". Boa sorte.

A seguir o primeiro dicionário para traduzir o inglês dos japoneses:

Shistemu – System.

Donmai! – Don't mind!

Raki! – Lucky!

Naisu! – Nice!

Hapi Basudei! – Happy Birthday!

Wan Tsu, Wan Tsu – One Two, One Two

Harô! – Hello!

Shi a! – See you! (Até logo!)

Gudo – Good

Raiburari – Library

Mas – Math

Supikingu – Speaking

Warukingu – Walking

Hosto Maza – Host Mother

Hosto Faza – Host Father

Hosto Buroza- Host Brother

Hosto Shista – Host Sister

Warudo – World

Surira – Thriller (Eles se referem àquela música do Michael Jackson...)

Amburera – Umbrella

Mansu – Month

Uiku – Week

Sorii! – Sorry!

San Kyu! – Thank You!

Saito Siingu – Sightseeing

Samaacampu – Summer camp

Curaudo – Cloud

Rocu – Rock

Mudiki Rumu – Music Room

Hea Sutaila – Hair Styler

Por enquanto é isso. Aguardem por mais edições.

Abraços, João.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Cabeleireiro

Fui ao cabeleireiro outro dia.

É claro que o meu cabelo ficou um lixo. A mulher que cortou é uma amiga da minha host mother, que tem um salão aqui perto.

É claro que até o cabeleireiro tem que ser diferente aqui.

Cheguei lá, aquele papinho de sempre, ela me levou pra lavar o cabelo. Sentei em uma cadeira e ela começou a reclinar. Óbvio que meus pés sobraram pra fora da cadeira, mas tipo, foi quase metade da perna. Então quando ela foi lavar a minha cabeça, ela cobriu meu rosto com um lenço de papel! Hein? Sim, um lenço de papel bem na minha cara, enquanto ela lavava meu cabelo. Pelo menos tinha um cheirinho bom.

Depois ela foi cortar o meu cabelo de verdade... Com uma navalha! Ninguém nunca tinha cortado meu cabelo na navalha, porque eu tenho cabelo fino. Ela até entendeu o corte que eu queria, mostrei uma foto pra ela de como era o meu cabelo antes. Só que ela cortou de um modo japonês, desfiando tudo na navalha. E o pior foi que depois ela ainda tentou fazer um penteado japonês em mim, do tipo que os garotos na minha sala usam... Não obrigado. Esses penteados japoneses... São... São... Bizarros! Eles alisam na frente, fazendo uma franjinha escrota e depois arrepiam atrás, mas arrepiam de um jeito esquisito, arrepiando tufos inteiros de cabelo de uma vez... A coisa mais próxima de uma descrição pra isso seria como se eles tivessem uma coroa atrás da cabeça, os tufos arrepiados. Pena que eu não posso postar fotos dos meninos da minha sala no blog, então fica meio difícil de vocês verem.

Abraços cabeludos.

sábado, 19 de junho de 2010

Twitter Japonês

Os japoneses não precisam de um Twitter.
A vida deles é um twitter. O tempo inteiro exclamando coisas como: Atsui! (quente), Itai! (dolorido), Samui! (frio), Umai! (habilidoso).

E eles nem falam isso pra alguém específico, eles só falam alto pra quem quiser ouvir.

Twitter pra quê?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Sashimi

Fizeram uma puta sacanagem comigo.

Fui almoçar na casa da minha tia japonesa outro dia e teve sukyiaki. É um prato tipo japonês em que você quebra um ovo em uma tigela e coloca verduras, cogumelos, macarrão e iscas de carnes recém cozidas e come. Não estava muito a fim de comer ovo cru, mas experimentei mesmo assim. Não é muito gostoso por causa do ovo cru.

Então me ofereceram sashimi. Coloquei umas fatias em um pratinho com shoyu e comi. Achei estranho que esse sashimi estava temperado com cebolinha e outras coisas e era bem duro, com um gosto estranho.

Então eu perguntei que peixe que era.

Não era peixe.

Era frango.

ME DERAM FRANGO CRU PRA COMER SEM EU SABER!

Eu gosto de saber o que são as coisas que eu vou comer, sabe? Eu sei que eles não mentiram, falaram que era sashimi, e era, só que de frango. Eu achei que era de peixe, oras! Eu achei uma puta sacanagem, eles deviam ter me avisado antes. Cara, era frango cru! Não tinha como saber que era a não ser que eles falassem, eles tinham a obrigação de ter me avisado que era diferente. Ainda mais FRANGO CRU!

O gosto nem era nada tão ruim, tinha gosto do tempero que eles tinham colocado, mas porra, não importa o que fosse, não se come frango cru no Brasil! Eu não consigo me imaginar comendo frango cru de novo, é uma coisa nojenta, repugnante! Sabe aquelas horas que você pensa em virar vegetariano? Então...

E ainda me contaram da variedade de sashimis que existem por aqui. O sashimi de carne bovina, o de carne de frango, o de carne de cavalo (WTF!?), o de baiacu (que pode ser venenoso caso alguém prepare errado), e o de baleia.

Sinto muito, eu não comeria nenhum desses. O de carne bovina depende de como é preparado, porque eu gosto de carpaccio, que são fatias MUITO fininhas de carne bovina, normalmente com um molinho de alcaparras em cima. Mas sashimi é diferente, as fatias são grandes. Acho que nem rola.

O de cavalo eu acho que eu não comeria. Cara, cavalo! Não é o tipo de animal que eu penso quando penso em comida.

O de baleia eu não comeria por motivos ecológicos. Afinal, existem pouquíssimas baleias no mundo, e eu não estou a fim de contribuir para a matança delas só pra poder experimentar a carne delas. Acho muito cruel e desumano matar um bicho em extinção só pela curiosidade de experimentar a sua carne. Isso é muito típico do ser humano, pensando só em satisfazer a sua vontade de comer baleia, sem pensar nas consequências.

E aquelas pessoas que pensam: mas já tá morto, que diferença faz? Mas você contribua dando dinheiro para os desgraçados que vão lá matar outras. Se alguém me oferecer carne de baleia, vai ser nisso que eu vou pensar, que eu estou matando uma baleia.

Então, se alguém te oferecer sashimi, principalmente se essa pessoa for japonesa, tome cuidado, eles podem não estar te oferecendo peixe cru.

Fica a dica.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Doces japas!

Ah, os doces japoneses!

Existem os doces que você achava que não iam ser muito bons e são uma delícia, e os doces que você acha que devem ser bons e fazem você ter vontade de nunca ter posto aquilo na boca.

Os doces japoneses são melhores que os brasileiros? Sim e não.

Em questão de doces tradicionais, feitos artesanalmente, os doces brasileiros dão de 10 a zero. Afinal, cocada, doce de leite, goiabada, brigadeiro, doce de abóbora, arroz doce, bolos diversos e outros não podem ser piores do que doce de feijão. Sim, o feijão japonês é diferente do feijão brasileiro. Aqui os grãos têm o dobro do tamanho e são doces. Eu comi outro dia um doce que era uma massinha em formato de peixe (Hein?) com recheio de feijão dentro. Eu não consegui comer nem metade...

Também teve uma vez que eles compraram um rocambole e tinha um recheio marrom. Aí eu já me animei: rocambole de chocolate, certo? Não, rocambole de feijão. O gosto não era tão ruim, o pior foi a decepção. Também tem um sorvete de feijão aqui. Eu, claro, resolvi experimentar. A parte de baunilha que envolvia a massa de feijão era uma delícia. Já o feijão...

Por outro lado, esses docinhos porcarias, que são industrializados e têm mais corantes que açúcar são MUITO bons. Eles viciam! Outro dia eu comprei uns ¥600 em docinhos. Isso dá uns R$ 12 mais ou menos.

Eu já comi umas balinhas do Elmo, puxa-puxa sabor refrigerante, um negocinho chamado "Pucho Bo-ru" que são umas bolinhas doces e mais um monte. O melhor dos doces chama "aisu no mi". É tipo um sorvete, em formato de uma bola (do tamanho de uma bolinha de gude), que é totalmente sólido, mas assim que você põe na boca, ele vira um sorvete normal, geladinho, a mesma textura e é muito gostoso. Vem em uma embalagem de papel alumínio pra não esquentar.

Abraços açucarados, João.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Necessidades japonesas

Descobri que no meu banheiro tem um Warmlet.

O Warmlet é um aparelho que esquenta o assento da privada a aconchegantes 43°. Assim, o seu popô não passa frio enquanto você faz as suas necessidades. Mas ainda assim não é uma daquelas super-privadas japonesas, com computadorzinho e tudo. Isso tem no banheiro de baixo. De qualquer modo, eu fui ver só como funciona. Quando você termina de fazer as suas necessidades fisiológicas, você aperta um botão, que solta um esguichinho de água morna para limpar o seu bumbum. Existe o botão para mulheres também. Você ainda pode ajustar a intensidade.

Outro dia eu vi no shopping um conjuntinho de mini golfe pra você colocar no banheiro, em volta da privada, assim você pode jogar golfe enquanto faz cocô.

Maravilhoso.

Agora, você deve se perguntar: quem compraria um conjunto de golfe para usar no banheiro?

Resposta: os japoneses. Sem mais comentários.

Abraços, João.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Aniversário

Anteontem, foi meu aniversário. Normalmente, quando chega o meu aniversário, eu fico feliz, animado, pensando que aquele foi o dia feito pra mim. Aqui, eu fiquei meio deprê. Eu não sei explicar bem o porquê, mas parecia que não era o meu aniversário. Eu tive que ficar me lembrando que era o dia inteiro. Acho que é porque é o primeiro aniversário que eu passo longe de casa, talvez seja isso.

De manhã a minha host mother me falou parabéns. Ainda bem né? Mas de qualquer modo, falou só os parabéns e eu fui pra escola. Ainda bem que ninguém na escola lembrou. Não sei por que, mas eu não queria que ninguém lembrasse. O único garoto que poderia lembrar, o Akira, ficou com febre e não foi pra escola.

Depois, quando eu voltei pra casa, ela falou que ia ter um bolo, depois que os primos voltassem do caratê. Como eles moram muito perto, tudo se faz junto, então não era bem uma festa, mas sim acender uma velinha e cantar parabéns, acho que isso deve ser uma coisa normal em qualquer cultura. Então, a verdade foi: não teve festa. Bom, eu até que esperava isso, eu nem tenho amigos pra fazer festa, e festa é uma coisa cara.

Mas teve uma coisa que eu não esperava: eu não ganhei presente nenhum.

Eles acenderam 16 velas e cantaram a musiquinha. Eles cantam do mesmo jeito que no inglês. A única diferença é que no final eles falam "Omedetou tandyoubi!".

Daí eu apaguei as velinhas e fui cortar o bolo. De baixo pra cima é claro, pra não dar azar. Todos eles olharam com aquela cara de besta quando eu cortei o bolo de baixo pra cima. Aí eu percebi que esse costume na verdade era brasileiro. Nunca tinha pensado nisso.

Não esse negócio de primeiro pedaço vai pra quem aqui. E quando eu fui servir o bolo, eu coloquei a fatia de lado no pratinho, e todos eles olharam abismados pra mim. Oh! Como assim, a fatia está tombada? Aí eles me falaram que aqui no Japão tem que colocar a fatia com o topo do bolo pra cima, ou seja, de pé. Tá bom né? Frescura.

O foda foi comer o bolo. Na verdade, não que eu acho que o bolo devia ser um bolo ruim, mas eu não gosto de bolo com chantilly, morango, recheio de creme e todas aquelas frutas que estragam o bolo em cima. Na verdade, todos os meus bolos de aniversário foram de chocolate, ou chocolate com doce de leite, ou qualquer outra coisa do tipo. Eu sempre preferi também. Mas eu não queria fazer desfeita, ofender quem comprou o bolo e desonrar a família, então eu comi o bolo. Fazendo cara de feliz ainda. No bolo tinha uma plaquinha comestível com o meu nome escrito. Em japonês.

Abraços de 16 anos, João.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Kyudo

Comecei outro dia as aulas de Kyudo (arco e flecha japoneses). Eu não estava muito a fim de fazer essas aulas, mas eu meio que não tive escolha.

Eu queria fazer alguma coisa, para ocupar o meu tempo, então como eu não ia entrar em nenhum clube da escola, resolvi que ia fazer alguma arte marcial japonesa fora dela. O problema é que Nichinan não é muito grande e não tem muitas academias. E ainda por cima, precisaria ser alguma coisa meio que perto, porque a Mitsue não pode me levar durante a semana, porque ela trabalha. Pra facilitar ainda mais, eu chego da escola às 17:30, e até eu conseguir ir à algum lugar eu não teria nem tempo pra jantar.

Então, eu queria fazer Kendo, Aikido, ou Karate. Acima de tudo Kendo, porque é super difícil de encontrar academias de Kendo no Brasil. Daí, pela lista de motivos listados acima eu acabei sendo forçado a fazer Kyudo, que tem uma academia pertinho da casa. Não é bem uma arte marcial, mas pelo menos é algo bem tradicional japonês.

Mas as aulas são tão chatas! O professor me mostrou como mexer no arco e me deixou com um arco de borracha pra treinar, por duas horas! Ele nem vinha ver se estava certo, não dava um novo exercício... Que coisa mais sem graça! As aulas de Kung-Fu tinham todo dia um exercício diferente, a aula era mais agitada, os professores passavam coisas novas e mostravam katis e tal...

Sem falar que os meus braços agora estão muito doloridos.

Abraços doloridos, João.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Talheres e a Finlândia.

Eu reparei uma coisa quando os japoneses comem com talheres: eles seguram a faca na mão direita e o garfo na mão esquerda. Todo mundo, não importa se for destro ou canhoto. Eu achei meio estranho, porque no Brasil, todo mundo (menos os canhotos) segura a faca na mão esquerda e o garfo na mão direita. Então, daí eu fiquei imaginando que eu nunca tinha reparado em outra pessoa de outro país comendo.

Eu estava em um restaurante com o Vincent (meu amigo alemão) e ele come segurando os talheres do mesmo jeito dos japoneses. E ele diz que todo mundo na Alemanha come assim. A Tuulia (minha amiga finlandesa) come do mesmo jeito que eles e até agora só eu como com a faca na mão esquerda e o garfo na direita. Aí que eu percebi: o esquisito da história não são eles, somos nós. Nós comemos de um jeito diferente dos outros países. Estranho ouvir isso não? Mas eu ainda não estou convencido, eu vou perguntar pro Ryan (meu amigo americano) como que se come nos EUA.

Mas tem uma coisa que os japoneses fazem que eu tenho certeza que não é normal: eles colocam a comida na parte convexa do garfo, não na parte côncava. Isso não faz sentido, e eu acho que em qualquer país.

E falando em diferenças culturais em assuntos inúteis, eu andei conversando com a minha amiga boliviana no Facebook, em espanhol. Sabe como se escreve a risada em espanhol? Em português é assim: "He He He". Em espanhol é: "Je Je Je".

Sabe uma coisa que eu pensei ontem? Quantas pessoas você conhece que falam finlandês? Finlandês... Eu não conheço nenhum sobrenome finlandês, não sei nada sobre a Finlândia... E então eu conheço uma menina finlandesa que fala finlandês e tal. Meio esquisito. Na verdade eu sei que a capital da Finlândia é Helsinki. Pronto.

Pensa em algum país, rápido. Exemplo: Espanha. Você conhece alguma coisa da Espanha. Paella, por exemplo. Outro país: sei lá, Austrália. Você conhece os cangurus e os coalas. Pode pensar em vários países, você provavelmente vai conhecer alguma coisa sobre eles: alguma comida típica, alguma cidade famosa, algum monumento, algum esporte, algum animal, alguma pessoa, alguma música... Pensa na Finlândia. Você conhece alguma coisa da Finlândia? Não que seja um país absolutamente anônimo, mais eu não conheço nada famoso da cultura do país. Se eu esqueci de alguma coisa muito famosa da cultura finlandesa, deixe um comentário.

Abraços finlandeses, João.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Dor de cabeça e Tóquio

A escola voltou em uma quinta-feira, então a semana dourada não foi tão semana assim. Mas, acreditem, ter ido pra escola me poupou de muito tédio e me conseguiu dor de cabeça.

Como vocês sabem, eu quero viajar pra Tóquio nas férias.

Então, eu pesquisei um pouco na internet sobre Tóquio, onde visitar, como é o melhor meio de se locomover, aonde NÃO ir, preços e tal. Eu quero visitar as coisas mais conhecidas mesmo, eu não vou ficar procurando as coisas pequenininhas e vendo se elas são legais. Eu vou provavelmente de avião até Narita, daí eu pego um trem até o hotel. Eu planejo ficar em um hotel barato, porém seguro (o que não deve ser muito difícil de encontrar no Japão). Talvez eu até fique em um hotel tubo, se eu couber na cabininha...

Eu planejo ir de metrô para os lugares e voltar e dormir no hotel. Planejo fazer isso por uns 15 dias mais ou menos, depois eu pego um trem de volta pra Narita e pego um avião de volta pra Myiazaki. Tirando a parte do avião, não deve ser tão caro assim. Eu fico no hotel por alguns dias, deixo fixo que eu vou sempre dormir naquele hotel, pra eu não me perder, e planejo minhas viagens pra ir e voltar dos lugares de Tóquio no mesmo dia. Eu entrei no site do metrô do Tóquio (que tem uma versão em inglês) e fiz download do mapa do metrô. A primeira coisa que veio na minha cabeça quando eu vi o mapa foi: FUCK! Parece meio com um desenho de criança, cheio de linhas coloridas, mas eu sei que se eu estudar ele direito, eu consigo perceber o que fazer. Eu na verdade queria ir com a agência de viagens pra brasileiros no Japão, a "Rodando o Japão", mas eles não responderam o meu e-mail ainda. Eu vou mandar outro, porque eu queria ir com alguém que conhecesse a região e o idioma. Seria mais seguro e eu tenho certeza de que eu aproveitaria mais as coisas se tivesse alguém me levando para os lugares certos, porque mesmo que eu tenha pesquisado, eu não sei bem quais são os lugares legais de Tóquio.

Por outro lado, eu deveria fazer alguma viagem sozinho durante o intercâmbio, porque eu nunca viajei realmente sozinho, tipo só eu e mais ninguém MESMO. Isso seria bom pra minha maturidade certo? Eu tenho quase certeza de que eu consigo me virar em uma cidade normal, mas Tóquio é uma das cidades mais populosas do mundo. Eu tenho medo de me perder e ficar sem o vôo de volta pra Myiazaki, ou até mesmo me perder na volta pro hotel, porque eu nunca andei em Tóquio antes e meu japonês não é muito bom. Apesar de tudo isso, o Japão é um dos países mais seguros do mundo e a polícia daqui é altamente confiável. Eles com certeza me ajudariam a voltar pro hotel. E qualquer coisa, existe internet e telefone, eu poderia ligar pra minha host family em caso de emergência, certo?

Estou louco pra conhecer Tóquio, pelo que eu vi, tem muitas coisas legais na cidade.

sábado, 15 de maio de 2010

Pegadinha!

Hoje passou na TV uma pegadinha japonesa, na qual tinha uma mulher, a vítima, e a amiga dela, que era a cúmplice. Levaram a mulher para um local de construções e ensinaram ela a mexer em um daqueles tratores que tem uma garra e deixaram ela mexer nele, mas tinha um cara controlando o trator por controle remoto. Daí a amiga nela entrou em um banheiro químico perto do lugar onde estava o trator e ficou lá. Quando a mulher tentou mexer no trator, o cara com o controle remoto começou a mexer o trator loucamente e a mulher ficou desesperada, porque ela achou que foi ela a responsável. O trator andou, bateu em um guindaste, que estava segurando um barril, que saiu voando em direção ao banheiro químico. Na hora que o barril bateu no banheiro, o banheiro explodiu.

Os caras da área de construção saíram correndo em direção ao banheiro, fingindo estarem desesperados pra saber se a amiga tinha sobrevivido à explosão, enquanto isso um outro cara ficava falando pra mulher: é tudo sua culpa! Você matou ela!

A cara que a vítima fez, ela não estava entendendo nada, não sabia se era de verdade, não sabia se chorava, se desesperava... No final a cúmplice apareceu dizendo que era uma pegadinha. Meio punk essa pegadinha não?

Teve outra que eu vi na internet, que a vítima era um homem, que estava em uma reunião de negócios, armada pra ele, e na sala de reuniões tinham ele e mais dois homens. Enquanto eles estavam conversando, o vidro da janela quebrou e o homem do lado levou um tiro no peito, no melhor estilo atirador sniper. Daí a vítima já fica desesperada né? Pula no chão, cobre a cabeça com as mãos, começa a gritar... O outro homem tira uma arma do bolso e começa a atirar contra a janela, tentando acertar o assassino. Enquanto isso várias coisas na sala são atingidas e aparece o buraco da bala nelas, tipo o sofá e alguns vasos, tudo muito bem feito, a lá Hollywood. A cada tiro o cara grita e pula pra um lado, achando que o assassino está com a mira nele. Ele fica MUITO desesperado e começa a chorar, daí ele sai correndo e vai em direção à porta da sala que estava fechada, daí a porta recebe uma saraivada de balas e ele abre, quando ele abre, tem um cara esperando lá fora e diz que foi tudo uma pegadinha. A vítima estava branca e tremendo. Foi uma puta sacanagem, mas os japoneses adoram esse tipo de humor.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Tédio, monjas e máquinas de pegar.

Tédio atacando forte esses dias. Mesmo tendo internet na casa agora e eu tendo ido a alguns lugares diferentes esses dias.

Hoje de manhã eu fui em uma "igreja" budista. Foi absolutamente chato e entediante, mas eu não me arrependi de ter ido, porque faz parte da cultura e eu saí de casa. O foda é que tem que sentar nas pernas pra assistir a "missa", daí fica doendo absurdamente. Parece teste de resistência, porque as pernas doem MUITO. Principalmente se você ficar uma hora e meia sentado em cima delas. Quando eu saí da posição eu não conseguia mais sentir os meus pés. Foi um negócio meio bizarro, eu mandava os meus pés se mexerem e eles não obedeciam! Eu apertava eles e as minhas mãos sentiam os meus pés, mas os meus pés não sentiam a minha mão.

Durante a cerimônia tinha um altar com um Buda, e uma monja careca ia até o altar e ficava cantando umas rezas esquisitas, com uma voz mais esquisita ainda. O problema é que isso durou umas duas horas e eu sentado nas pernas. Depois de tudo isso ela saiu do templo, e todos fizeram uma fila atrás dela, e andamos por 88 pedras em um jardim. Não me perguntem, eu não faço ideia do porquê.

Fui em um shopping outro dia.

Lá tinha uma loja de besteiras que era muito legal. Tinha CDs, decorações, capas pra Ipod, tudo que você puder imaginar de idiota. Tinha uma garrafa de água no formato do R2-D2. Tinha um fone de ouvido que o fone era no formato de um confete, ou da carinha do Mickey, ou ainda de uma peça de LEGO.

O mais bizarro era uma máscara de caranguejo, e uma máscara de oniguiri-zushi. Coisas que só no Japão, com certeza. No shopping também tem uma game – plaza, tipo o fun-house, aqueles lugares com um monte de joguinhos eletrônicos. Eles realmente gostam disso aqui. E não são só as crianças não, tem muitos adultos que vêm sozinhos, ou mesmo com seus filhos brincar.

Tinha uma parte da game-plaza que era só daquelas máquinas de pegar, daquelas que têm uma garra e ninguém nunca consegue pegar os melhores prêmios. E as coisas de tinham em algumas máquinas eram tipo, máquinas fotográficas, bichinhos de pelúcias gigantes e às vezes até mesmo comida.

Eu nem tentei, eu nunca consigo pegar as coisas nessas máquinas.

Abraços, João.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Viagens

Nas férias eu quero viajar pra algum lugar. Qualquer um, mesmo que eu vá sem a família. Aliás, eu prefiro ir sem a família. O técnico de futebol da escola me deu umas revistas feitas pra brasileiros que estão no Japão, e é super legal, porque tem anúncios de lojas que vendem produtos brasileiros, explicações e tal, e eu vi o anúncio de uma companhia de viagens chamada "Rodando o Japão". Que sorte, uma companhia de viagens aqui feita pra brasileiros! Nas férias eu queria ver se dá pra eu ir com eles visitar alguns pontos turísticos do Japão. O melhor é que eu posso ir, porque eu não vou estar sozinho, é uma agência de viagens, ou seja, eu vou em uma excursão com um grupo, a língua não vai ser um problema, daí eu não vou me perder, e eu vou poder aproveitar ao máximo esses pontos turísticos, porque eu acho que tem um guia explicando. Eu acho que não é nenhum luxo, e que a gente vai dormir no ônibus mesmo, mas eu nem ligo, porque é como se eu fosse mochilando, e não gastaria muito dinheiro, o que é o melhor.

Eu preciso sair de Nichinan. As coisas aqui já viraram rotina, eu preciso visitar mais lugares do Japão. O problema é que não posso viajar sozinho nos primeiros 4 meses de intercâmbio, então depende da boa vontade da família de me lavar pros lugares. O foda é que a família não gosta muito de viajar então na semana dourada (uma semana sem aula), que vai ser semana que vem, eu não vou poder ir viajar e vou ficar em casa a semana inteira. Que bosta! Eu quero conhecer o Japão caramba! Eu tenho a sensação de que cada feriado que eu fico em casa é como se eu perdesse uma oportunidade de viajar e conhecer mais. Se eu pudesse viajar sozinho eu pegava um trem e boa, ia pra alguma cidade vizinha aqui perto, ou nem tão perto assim, tipo Hiroshima ou Nagazaki. Por enquanto eu vou ter que ficar em casa lamentando o ócio mesmo.

Abraços entediados, João.

Cinema

Outro dia eu fui assistir Alice no país das Maravilhas, no cinema de Myiazaki, porque Nichinan não tem nem shopping nem cinema. O cinema, como no Brasil, fica dentro do shopping, só que aqui, pelo menos no cinema que eu fui, tinha uma lanchonete fora, e as pessoas compram coisas de comer no cinema pra comer antes.

No cinema daqui, você pode entrar com comida diferente de pipoca ou balas. Na lanchonete do cinema vende batata frita. Eu estava com vontade de comer batata frita, mas eu não queria gastar dinheiro (o ingresso do cinema era ¥1500, o que dá mais ou menos U$ 15!) e eu não quero engordar também. A pessoa que sentou do meu lado no cinema comprou batata e ficou aquele cheiro do meu lado, e eu com vontade de comer. Sacanagem!

O cinema era bem menor do que o cinema brasileiro e a tela também. Mas, em compensação, as poltronas eram bem mais confortáveis.

Abraços, João.

sábado, 1 de maio de 2010

Caçador de ouriços do mar





Depois da praia:



Bom, eu agora percebi porque eu tinha que usar calça e blusa de manga comprida.



Ah, a gente não foi pra praia nadar... A gente foi pra praia pra catar ouriços do mar. Sim, nós ficamos procurando esses bichos debaixo das pedras que tinham na beira do mar e colocando em uma cesta. Como os bichos têm espinhos tínhamos que usar luvas. E para evitar cortes na pele usamos calça, tênis e blusa de manga comprida. Na praia. Aqui tem uma foto da minha "roupa de praia".



Eles pegaram esses bichos pra tirar as ovas de dentro, porque eles dizem que é muito apreciado na culinária japonesa, e as pessoas pagam caro pra consumir essa iguaria. Eu vi eles tirando as ovas... Eles quebram o exoesqueleto do bicho e tiram tudo de dentro, daí eles raspam as ovas pra fora. As ovas têm uma cor meio alaranjada e são meio nojentas. Vou colocar uma foto no post pra vocês verem o bicho por dentro.



Eu comi as ovas hoje no jantar. Não é nada maravilhoso, mas é gostoso. Valeu à pena experimentar. Eu gostaria de comer isso em algum prato, tipo um temaki-zushi ou alguma coisa.



Hoje no jantar tivemos duas coisas exóticas (pra mim). Uma foram as ovas de ouriço do mar. A outra foram suculentas cabeças de peixe cozidas. Sim, tivemos cabeças de atum no jantar. A minha host mother colocou as cabeças em uma panela e cozinhou até formar um caldo grosso e depois serviu as cabeças de peixe. Eles comem tudo na cabeça, da carne até os olhos. Eu tive que comer, porque se eu não tivesse feito eu teria traído a minha ideia de experimentar tudo o que me servissem (menos baleia, que eu não como nem a pau). A carne da cabeça não é muito saborosa e o olho eu não tive coragem de comer, mas pelo menos eu posso dizer que eu já comi cabeça de peixe e ovo de ouriço do mar.



Abraços exóticos, João.

Praia de calça

Meu Deus! Não faz nem cinco minutos que a minha mãe japonesa falou que a gente vai à praia (lembrando que a praia fica a 20 minutos da casa). Aí eu falei que eu ia passar protetor solar e a gente ia. Eu estava de camiseta e shorts. Sabe o que ela falou? Me falou pra trocar de roupa e colocar uma calça. Aí eu parei, meu cérebro deu tilt. Ela me falou pra eu colocar uma calça porque a gente estava indo pra praia. Tipo, peraí, eu entendi direito? A gente vai pra praia mesmo? DE CALÇA? Eu ainda estou meio bobo pela ordem sem sentido, mas eu quero descobrir o porquê, tenho que ir agora.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Escola

Mesmo eu tendo ido à escola por duas semanas já, eu ainda sou novidade. Todo mundo sabe o meu nome, todo mundo (acha) que me conhece. Eu já ouvi as garotas comentarem que eu sou kawaii. O meu conselheiro me falou que vai ser difícil fazer amigos na escola, mas as pessoas vão ser amigáveis. Claro, enquanto eu for novidade, uma hora vira normal ver um garoto ocidental passando pelo corredor todos os dias. Daí ninguém mais vai ficar gritando o meu nome no corredor.

Eu acho que eles fazem isso para as outras pessoas acharem que eu sou amigo delas, já que eu sou provavelmente a pessoa mais falada e conhecida dessa escola (no momento). Como a escola tem vários edifícios, mas não é fechada, eu tenho que sair de um edifício e andar na rua pra chegar no ginásio. Nesse meio tempo eu chamo a atenção de várias pessoas, que vão para a janela da sala de aula me dar tchauzinho. Tem umas garotas que foram para as janelas de um lado da sala, deram tchauzinho, e quando eu passei pelo outro lado do prédio ela foram nas janelas do lado oposto da sala dar tchauzinho.

Abraços, João.

Gente, gostaria de comentar alguma coisa e deixar bem claro, porque tem gente meio brava com essa história.
Quando eu disse que os japoneses eram meio burrinhos eu não quis generalizar. Eu sei que no Brasil existem mentes de vários tipos, alguns meio bobões e outros mais maduros, mas a variedade é grande. Em uma mesma sala de aula, em uma mesma sala de trabalho ou na mesma comunidade você vê que existem pessoas diferentes.
Eu não sei se é porque eu caí em uma comunidade diferente ou eu dei azar de só conversar com esse tipo, mas ao meu ver, pelo menos os japoneses com que eu convivo me parecem meio bobinhos. Me desculpem alguns de vocês se vocês se sentiram ofendidos com o post, mas pelo menos os japoneses com quem eu convivo são meio lerdinhos. Eu, até agora não conversei com ninguém que fosse um pouco mais rápido.
Eu não estou estereotipando ninguém, o que eu falei foi baseado no que eu vivi.
Claro que eu também posso estar achando isso por diferença de cultura, mas mesmo se essa for a razão, eu tenho o direito de achar.
E quando eu disse que japonês é tudo louco, em tenho certeza de que eles acham o mesmo de mim.

Abraços, João.

Sushi

Eu fui em um restaurante de sushi aqui uma vez só. Sushi é muito caro e eles só comem em ocasiões especiais.

Sushi, na verdade não é aquele bolinho de arroz com o peixe em cima, sushi é qualquer prato de peixe cru e arroz. Aquele é niguiri-zushi, mas também tem o temaki-zushi, o hosomaki-zushi, sushi é o geral, cada um tem o seu nome, mas tudo é sushi.

O restaurante era aquele que tem uma esteirinha, a esteira era um círculo e os sushimen ficavam dentro dele, tinha um cardápio e quando você queria alguma coisa, eles preparavam e colocavam na esteirinha pra chegar até você. Ah, o jeito que tinha pra pedir era gritar pros sushimen o que você queria.

Sabe que não foi mais gostoso do que o do Brasil? A única diferença é que tinham sushis que não tem no Brasil, então não dava pra comparar. Os niguiri-zushi de salmão e atum, os mais básicos, tinham o mesmo gosto dos brasileiros, nada demais. O legal mesmo foi experimentar os diferentes, mas nenhum deles era extremamente gostoso. Talvez eu tenha sentido isso porque eu fui a um restaurante em que eles preparam muito rápido, então o sushi não deve ser dos melhores.

Eu experimentei sushi de enguia, de ovas de salmão e de um monte de peixe que eu não sei o nome em português. Eu também comi algum molusco meio gosmento que vinha dentro de uma concha e se tirava com um palito. Não era muito gostoso não.

Ah, você provavelmente achou que isso era Buffet né? Não. Os donos do restaurante não são loucos de fazer daquilo um preço fixo e coma quanto quiser. Os japoneses comem muito e faliriam a loja no primeiro dia. Mas, então, como se faz pra calcular quanto comeu a mesa se não tem ninguém anotando os pedidos? Os sushis são divididos em grupos diferentes de preço, e cada preço tem a sua cor do prato. Como os pratos ficam em cima da mesa quando se termina de comer, a garçonete vai lá e conta quantos pratos de cada cor, daí se paga.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Agradecimentos

Obrigado à todos que me seguem e divulgam o meu blog.
Agradecimentos especiais pra minha amiga Aline Velten que tem lido meu blog e encaminhado para as pessoas.
Aliás, recomendo que vocês entrem no blog dela:
obauerrante.blogspot.com
Aqui vocês vão encontrar os valiosos pensamentos dessa garota.
Recomendo também o blog mundoquantum.blogspot.com

Abraços, João.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Uniforme, ursinho Pooh e a infância.

Você, aluno do Porto Seguro, se sente incomodado por ter que usar uniforme? Você acha que os shorts azul-marinhos e as camisetas branquelas abafam a sua identidade? Então NÃO venha para o Japão!

Você que reclama do seu uniforme escolar, sabe qual é o meu uniforme? Calça social, camisa social, colete, cinto, gravata, terno, meia social e sapato social. Uma fofura, super confortável. Isso sim é preservar a identidade do aluno, vestindo todo mundo da mesma maneira com o mesmo terno da mesma loja. Você não escolhe a mochila também, é uma malinha que você põe seus livros, ah, a malinha é da escola. Na verdade são duas malas, a do material escolar e a bolsa de ginástica. Pelo menos você pode escolher se você quer seu tênis de ginástica amarelo ou verde. Uau! O que eu acho ridículo, é que tudo é da escola, você não pode usar o tênis que você quer, ou o sapato que você quer...

Você pode colocar um chaveiro nas suas malinhas pra identificá-las se você quiser. Caramba opções de customização! Irado... NOT! A família, ou já tinha esses chaveiros antes, ou compraram pra mim especialmente, mas a host mother colocou um fofo chaveirinho do ursinho Pooh, que a propósito, é chamado de "Pooh-San", na minha mala de ginástica. Na minha terra, chaveirinho do ursinho Pooh é restrito a meninas e crianças, mas eu perguntei, e aparentemente aqui, não é problema um menino de quase 16 anos usar chaveirinho do ursinho Pooh.

Eu agradeço pelos uniformes masculinos e femininos serem diferentes. Os japoneses são parecidos até em questão de homem/mulher. Se não fosse pela saia, eu poderia jurar que alguns seres eram meninos. A cara dos japoneses já não é muito diferente, o que ajuda a diferenciar menino/menina é o cabelo, mas várias meninas têm corte de cabelo masculino, e isso parece ser normal aqui. Pela voz também não dá pra diferenciar, porque a voz delas/deles é igual. Ah, isso que eu estou falando só se aplica aos adolescentes, viu? Quando eles crescem fica mais fácil diferenciar. Diferente das culturas ocidentais no geral, adolescentes de 16 anos não são considerados adultos aqui, e eu entendo porque: eles agem como crianças mesmo. Eles SÃO crianças. As pessoas acham que eu não sou mais criança, mas acham que os japoneses da mesma idade que eu são. A idade pra beber aqui é 20 anos, e faz sentido, porque eu não gostaria de ver nenhuma criança bêbada.

Abraços, João.

Banho

Vou explicar um pouco como funciona o banho aqui:

O banheiro onde se fazem as necessidades fisiológicas fica separado de onde se toma banho. Existe o banheiro pra cagar (estou rindo porque o Word quer que eu mude a palavra "cagar" pra "defecar") e o banheiro pra se lavar. O banheiro para as necessidades é uma salinha minúscula que mal cabe a privada. A pia fica atrás da privada e a torneira só liga quando você dá descarga. Desse tipo de banheiro tem dois na casa, banheiro de banho tem um só. Ainda bem que na casa tem privada, porque na maioria dos banheiros públicos é o banheiro tradicional japonês, que eu acho que se chama, em português, latrina turca (não sei por que não é latrina japonesa), que consiste basicamente em um buraco no chão que tem descarga.

O banheiro pra se lavar fica na lavanderia (WTF?), que tem uma porta de correr pra ninguém te ver trocando de roupa. Ah, a lavanderia fica dentro da casa, antes que alguém ache que eu tomo banho no quintal. Tem uma salinha (minúscula) na lavanderia com uma porta de Box, o chão é de azulejo e tem duas partes, a banheira e o chuveiro. A banheira é o Ofurô, que todos na casa dividem a mesma água. O chuveiro não é como o do Brasil, que é um negócio grande saindo da parede, aqui o chuveiro deles é tipo aquele chuveirinho que tem no Box brasileiro. Aqui se toma banho assim: primeiro se lava no chuveiro, com shampoo e sabonete, isso sentado em um banquinho. Ah, a família divide o mesmo vidro gigantesco de shampoo e sabonete. Depois de ter se limpado, tirado o cascão, e lavado todo o sabão do corpo, se entra na banheira, para relaxar. O problema é que mesmo assim, eu acho o negócio meio nojento, porque o filho da família volta do badminton e é o primeiro a usar o banho, mas eu tenho quase certeza de que ele não se lava antes de entrar na banheira. Além disso, a água da banheira é muito quente e eu não gosto de banho de banheira, parece que eu estou entrando em uma panela.

O onsen é um banho público, aonde as pessoas vão para relaxar e tomar banho. TODAS JUNTAS! Claro, tem separação homem/mulher. Quando eu estava em Osaka e fui obrigado a usar o onsen do hostel eu vi como funcionava. É a mesma coisa do que a sala de banho, mas bem maior. Você entra e se lava nos chuveirinhos e depois entra na banheira, só que a banheira do onsen tem o tamanho de uma piscina e água a 50 graus... Eu não sei, eu não gostei. O que eu acho estranho, é que os japoneses são cheios de "não me toques, não me olhes", mas gostam de tomar banho juntos. Japonês é tudo louco.

Abraços, João.

Xixi Lemon, inglês e o Rebolation.

Tem uma coisa engraçada aqui: tem uma bebida que vende em garrafa e tal, da marca Suntory, o nome é C.C. Lemon (se fala pronunciando o c como no inglês). Só que os japoneses não conseguem falar a letra C como "ci" (em inglês a letra c se fala ci), então eles dizem "xi". Agora, você já pegou a piada né? Qual o nome da bebida? Xixi Lemon. Gostoso né?

Aliás, se você é professor de inglês, NÃO VENHA PRA CÁ! Você vai sentir vontade de se jogar de cima do monte Fuji. Até o inglês da Sabrina Sato é melhor que o deles. Com exceções, é claro. Isso se aplica à maioria.

As pessoas da minha família não têm muita noção de privacidade quando se diz respeito a aparelhos eletrônicos. Normalmente quando uma pessoa checa seus e-mails, é falta de educação ficar atrás, tentando ler. A mesma coisa com o Ipod. Na minha opinião, quer ver? Pede! Puxar o Ipod da minha mão pra ver o que eu estou ouvindo não é um negócio muito gentil. Na verdade, com o e-mail eu até fico um pouco incomodado, mas depois eu lembro que eles não entendem nada do que está escrito, então eles desistem de olhar.

Até agora eu só ouvi os japoneses ouvindo música japonesa. Eles não escutam muita música estrangeira, pelo que eu percebi. Pra mim é normal não ter música brasileira no meu Ipod. Eu até acho legal eles ouvirem música nacional, porque isso é ótimo pra cultura do país, mas vamos concordar que não é por isso que eu vou deixar de ouvir Rock pra ouvir Axé e Funk...

A música japonesa é meio irritante. Eles curtem um Pop, meio Britney Spears, mas os japoneses cantam muito mal. A voz das cantoras é fina pra caramba e como eles são meio limitados nas palavras, fica meio difícil fazer rimas. Eu até entendo que o português seja meio difícil, e que o japonês por ser mais simples é mais acessível a todos, mas isso também me leva a pensar que o português também é uma língua muito mais bonita. Pensa só nos poemas que se pode fazer em português, nas letras das músicas. Precisa ser muito mais inteligente do que pra fazer em japonês. Como, pra fazer poemas e textos em português precisa ser muito mais inteligente, eu acho que o português seja muito mais bonito. Bom, tirando exceções, com as quais eu podia ter passado pela terra sem ouvir: "Bota a mão na cabeça que vai começar! O rebolation-tion, o rebolation! O rebolation-tion, o rebolaaation!".

Abraços rebolation pra vocês.

Leões e Mudança de Hábito 2.

Nossa! Agora eu me lembrei de uma coisa que aconteceu comigo na orientação. Um americano me perguntou se do lado da minha casa tinha mato. Eu falei que tinha uma pequena floresta. Sabe o que ele me perguntou?

- Ah, você já viu um leão na janela do seu quarto então?

Leão? LEÃO? O Brasil fica na América do Sul, não na África! Puta que pariu! Leão? Eu não moro no meio da savana! Essa pergunta me deixou tão perplexo! E mesmo se eu morasse na África, só por isso eu veria leões e elefantes passeando pela vizinhança? As pessoas não têm noção de como são os países em que existe um pouco mais de mato. Na verdade, como eu moro no Brasil, eu vejo onças e jacarés. Toda manhã, quando eu vou pra escola pendurando de cipó em cipó, eu tenho que verificar antes de sair de casa se não tem uma jaguatirica faminta à espreita. Toda vez que eu vou nadar na minha piscina eu tenho que tirar as vitórias-régias que crescem lá. Mas eu preciso matar as piranhas antes.

Eu lembro da cara do Canadense quando eu disse pra ele que a gente não tomava banho no Brasil... Depois eu desminti a história, claro, mas foi tão engraçado.

Outro dia estava passando um filme na televisão, "Mudança de Hábito 2", em japonês. Se você acha que já viu de tudo nessa vida, experimente assistir uma freira negra cantando em japonês.

Os dubladores japoneses não são muito bons. Eles não conseguem passar emoção à historia, nem mesmo em desenho animado. Eu odeio filme dublado, mas eu tenho que admitir que os dubladores brasileiros são bons, principalmente os de desenho animado. No filme fica meio ruim, porque a fala não bate com a boca do personagem, mas emoção eles transmitem de qualquer jeito. Quando é desenho animado, não há voz original, a boca do personagem pode ser preenchida com qualquer uma, e os brasileiros nos fazem acreditar que a voz é do personagem mesmo. Aqui você assiste o desenho e fala: só pode ser dublado.

Abraços, João.

Cores e carros.

Uma coisa que é diferente aqui, normalmente, quando se pensa em colocar uma cor para simbolizar rejeição, que cor se usaria? Vermelho certo? Aqui não, se usa azul... Esquisito né? Perguntar se está tudo azul aqui não faria muito sentido. Em programas de televisão, quando o participante erra, ou é rejeitado, aparece em azul. Quando ele acerta, aparece em vermelho. Acho que é pelo seguinte: as cores aqui têm significados, principalmente em coisas importantes como envelopes de presente ou kimonos. O branco representa dignidade, o verde, prosperidade, o dourado lembra ouro, ou seja, algo valioso. O vermelho lembra o sol, então significa vitalidade. O azul é usado quando alguém está doente, mas eu não sei por quê... Eu gosto tanto de azul...

Eu andei um pouco de carro aqui já. Não dirigi é claro, dirigir aqui só depois dos 18. Até o trânsito aqui é diferente. Na rua, os carros que precisam sair de um estacionamento e entrar na rua têm que esperar até que todos os carros saiam, pra não incomodar ninguém. As ruas são MINÚSCULAS! Bom, os carros também não são muito grandes, e se eu for pensar, os JAPONESES também não são muito grandes. Em estradas ou ruas mais movimentadas as faixas têm tamanho normal (uhum...), mas em ruas de bairros de moradia, as ruas são extremamente apertadas. Não dá pra passar dois carros, e elas são duas vias. Quando um carro está vindo, o outro se joga na parede e espera. Além disso, não tem calçada. As curvas são bem fechadas, porque não tem muito espaço pra fazer a curva (no Japão essa coisa de espaço é séria), então não dá pra ir um pouquinho pra frente pra ver se tem outro carro vindo, e como as ruas são minúsculas e a chance de ralar o carro é grande, quase todas as ruas têm um espelho, tipo daqueles de porteiro, pro motorista poder enxergar se tem outro carro vindo. Algumas ruas de moradia são tão estreitas que são do mesmo tamanho da distância entre uma casa brasileira e outra.

Quando eles dirigem na estrada, eles não extrapolam nunca o limite de velocidade. É até meio chato andar de carro, mas com certeza é muito mais seguro. Meu pai faria a distância Myiazaki – Nichinan em ¼ do tempo que eles fizeram. Mas quando a minha host mother arranca com o carro de ré, ela acelera mesmo, sem olhar o que está atrás. Lá no Brasil, minha mãe e meu pai colocam o cinto, e só depois ligam o carro. Aqui ela demora um pouquinho pra lembrar do cinto, mesmo com um negócio altamente irritante apitando.

Os carros daqui são super modernosos e tal. O carro da irmã da host mother é uma perua branca toda bonitona. Na hora de abrir a porta (ela abre como de perua mesmo, tipo side-scrolling), você não precisa puxar a porta, é só puxar a maçaneta uma vez que a porta se abre sozinha. Uau! Nunca mais serei o mesmo! No carro dela também tem um GPS com uma tela grande, e quando o carro vai estacionar, aparece uma câmera mostrando os arredores, pro motorista não bater em nada. E olha que a definição da imagem é melhor que a da minha TV... Os carros daqui são bem inteligentes. Esquisito não? Os japoneses inteligentes fazem coisas inteligentes pros japoneses burrinhos comprarem.

Aqui a direção do carro é mão inglesa (pra quem não sabe, ou não se deu ao trabalho de pensar, mão inglesa é ter o volante do lado direito do carro), então toda vez que nós vamos entrar no carro eu vou para o lado errado. Aposto que quando eu voltar ao Brasil eu vou fazer a mesma coisa. O que me assusta é ver um carro vindo na mão oposta, que fica à direita, na minha direção. Parece que vai bater, mas daí eu lembro que a mão aqui é sempre a da direita.

Abraços, João.

Cinto de segurança, sorvetes e o Brasil.

Quando a gente estava na perua, voltando do shopping, eu estava na segunda fileira do carro, e como sempre, coloquei o cinto de segurança. O meu host cousin, me disse que não precisava, daí eu falei que era importante e perigoso. Ele riu. Quando a gente estava na estrada, a motorista teve que frear em cima, e adivinha o que aconteceu? Ele foi pra frente e bateu a cabeça no banco. Ele não se machucou, mas eu tive aquela sensação: trouxa, eu te avisei... Mesmo assim ele não colocou o cinto. Paciência. O retardado não sou eu mesmo...

Outro dia tive uma decepção bem grande. Eu, pela primeira vez aqui, tive vontade de comer alguma coisa, um sorvete que eu tinha visto em uma vending machine (sim, aqui eles vendem sorvetes em vending machines!), e eu pensei que tinha dinheiro. Coloquei a mão no porta moedas e achei 29 yenes, o que vale um pouco menos do que uma bala de menta e um punhado de cocô. O sorvete custava 120 yenes...

Uma coisa que me incomodou um pouco na orientação foi que toda vez que eu falava que era brasileiro, as pessoas olhavam pra mim tipo: "porque você não é preto?". As pessoas não têm noção nenhuma de como é o Brasil. Eles achavam que os brasileiros tinham que ser moreninhos e festeiros. Quando eu estava no ônibus, o povo da Alemanha me falou como eles achavam que é o Brasil: festa todo dia, meninas de biquíni o tempo inteiro, praia, sol. OK, quando se vai pra praia, é mais ou menos assim, só que o Brasil não é só praia né? As pessoas criam estereótipos pra descrever cada país e começam a achar que todo mundo do país é daquele jeito. Outra coisa, o Brasil é enorme, e tem bastante desigualdade. Os meus hábitos não são os mesmos do que no resto do Brasil. As pessoas tomam o Brasil como uma coisa só. Uma alemã me disse que na aula de geografia eles estavam aprendendo sobre a "máfia" brasileira, ou seja, os traficantes de drogas. Me deu uma certa vergonha.

Aqui no Japão é meio esquisito, porque TODO MUNDO sabe que eu sou estrangeiro. No Brasil, se você vir um japonês, vai pensar que ele é brasileiro facilmente. Aqui, se você me vir, não tem como pensar que eu não sou estrangeiro. Eu acho estranho, porque aonde eu vou, as pessoas olham pra mim. Pelo menos os adultos olham e viram a cabeça logo, pra não ficar incomodando, mas as crianças olham, e reparam, e comentam com as outras crianças. Outro dia eu fui assistir as crianças jogando baseball em um campinho perto de casa. As crianças ficavam dando tchauzinho, olhando, comentando... O pior é que não dá nem pra entender o que elas estão comentando.

Abraços, João.

Sol nascente

Você provavelmente já ouviu que o Japão é o "país do sol nascente", mas eu gostaria de ver esse sol de vez em quando aqui. Todo dia e o dia inteiro é nublado. O dia amanhece e se põe do mesmo jeito, não há diferença entre manhã, meio dia, tarde e finalzinho de tarde. Tudo parece finalzinho de tarde. Me lembrou do que me falaram de Londres, onde o sol só aparece uma vez por mês ou coisa assim. Eu já sou branquelo, e ainda tenho que usar roupas compridas aqui, porque faz um friozinho básico, quando eu voltar pro Brasil eu vou estar pior do que lagartixa. Vai dar pra ver meus órgãos internos se eu tirar a camiseta...

O tempo aqui está sempre nublado e nunca dá pra saber se vai chover ou não. Quanto à temperatura, ainda está meio friozinho, porque acabou de sair do inverno. Não está congelante, mas ainda assim está gelado e precisa usar blusa. Eu não curto muito usar roupa de inverno, mas não tem outro jeito.

Como já começou a primavera, as cerejeiras já estão começando a desabrochar, e as árvores são realmente muito bonitas, mas está tão nublado que o parque cheio de cerejeiras não fica tão bonito como na TV. Eu ouvi falar, no Brasil, que tem uma festa para as cerejeiras, mas até agora eu não vi nada de festa.

Piquenique no estacionamento.

Um dia quando eu fui em uma espécie de shopping que ficava longe da cidade nós paramos no meio do caminho pra comer. Você pensou em um restaurante certo? Errado! Nós paramos em um estacionamento vazio e fizemos piquenique nas vagas. What the fuck?

Paredes e terremotos

As casas do Japão não são nada silenciosas. As paredes são muito finas pra evitar que alguém fique soterrado em um terremoto e as casas são muitos próximas umas das outras, por questão de espaço.

Paredes finas são algo que me incomoda um pouco aqui. É meio desconfortável quando alguém vai ao banheiro, porque todo mundo na casa consegue ouvir o que o sujeito está fazendo. Mesmo assim, é melhor do que ser soterrado em um terremoto, isso com certeza é! Hum, os banheiros da casa não têm tranca. Esquisito né? Felizmente isso não me rendeu nenhuma situação embaraçosa.

Até agora eu não senti nenhum tremor, ainda bem! Dizem que a maioria dos terremotos são muito fracos e que nem dá pra sentir, mas mesmo assim, eu fico aliviado que me disseram que em Myiazaki tem poucos. Eu poderia muito bem passar pelo Japão sem sentir um. Outra coisa boa, é que como não tem terremoto, não tem tsunami. Yes! Eu já odeio onda normal, imagina uma de 12 metros de altura!

A única coisa que eles têm um monte aqui é tufão. Me disseram que no verão, mais ou menos de junho a setembro tem bastante. É, não é algo muito legal, mas pelo menos acho que deve ser normal pra eles.

Abraços pra vocês, João.

sábado, 24 de abril de 2010

Chokito

Eu trouxe uma caixa de bombons da Nestlé pra cá e eles não tinham gostado muito, porque disseram que era muito doce. Ontem a Mitsue veio com a caixa e perguntou qual deles eu mais gostava. Aí eu pensei bom, ela deve estar me perguntando pra que ela não coma o meu favorito né? Então eu apontei pro único Chokito da caixa. E o que ela fez? Comeu. Eu fiquei tipo, hein? Acho que como ela não tinha gostado do outro, ela queria saber qual era o melhor, pra ver se era bom. Mesmo assim, foi bem esquisito. Eu não levei pro lado pessoal, acho que ela não estava fazendo isso pra me provocar, não faz sentido fazer isso. Mas poxa! Era o último Chokito da caixa e ela nem gostava do chocolate!

Cabelo, ratazanas e a dança do macarrão.

O cabelo do meu host brother recebe os tratos de uma cabeleireira não muito profissional: a mãe dele. Nem fodendo que eu vou deixar ela cortar meu cabelo! Mesmo que eu tenha que pagar eu mesmo, eu vou em um cabeleireiro. Eu só não sei como vou fazer para pedir qual corte eu quero. Acho que eu vou levar uma foto ou algo assim. Ou talvez eu não corte por um ano, que tal? Vai ficar bonito, vou voltar parecendo o Macgyver.

A TV da sala tem uma crosta de poeira em cima, que é quase tão funda quanto o pré-sal. Eu tenho até medo de chegar perto da TV e sair uma ratazana de 2,40m escondida no meio da poeira.

Acho que o meu pai não ia gostar muito de assistir a TV do Japão. O negócio é ultra tosco, tipo, imagina um Pânico na TV sem graça, feito pela Gazeta e exibido na Globo! Os programas são mais ou menos assim. À tarde passa meio que uma novela japonesa que é bem tosquinha. Eu vi uma cena da novela em que um cara mata uma mulher estrangulada, sem querer, enquanto ele pede pra ela entregar a foto da filha dele. Peraí! Matou estrangulada sem querer? Durante os programas fica passando umas palavras o tempo inteiro na TV, tipo, tudo que eles falam aparece as palavras mais importantes de modo cômico. Imagina aqueles programas do Gugu em que aparece o assunto embaixo, só que em todos os programas. Outra coisa esquisita é que aparece um relógio na TV também, e esse relógio muda de canal pra canal, ou seja, a emissora põe o relógio durante as programações. O jornal das 8:00 aqui começa exatamente às 8:00 em ponto, certinho!

A maioria dos programas aqui parece ser patrocinado, então, por exemplo, eu tenho um programa de diversidades, e o fulano tem um remédio pra emagrecer. Ele me paga um tanto e o meu programa daquele dia vai falar só sobre dieta e como o produto dele ajuda a emagrecer. E cada dia é um produto diferente. Durante a programação fica meio difícil entender o que é propaganda e o que não é. Durante o telejornal aparece uma mina de roupa amarela dançando uma dança estúpida e comendo macarrão (What The Fuck?!?) e depois de uma só propaganda volta a programação normal. Aliás, eles adoram essas dancinhas micosas em propagandas comerciais. Tipo aquelas propagandas da Tigre que tem umas pessoas dançando a "dança da privada entupida" só que aqui isso não é sátira, é normal.

Verdade verdadeira

Vou contar uma coisa pra vocês, não fiquem preocupados, não acontece com todos os nipônicos, só com a maioria.

Você provavelmente já ouviu falar que os japoneses são inteligentes, certo?
Na verdade, eu acho que os japoneses são inteligentes só fora do Japão, porque aqui eles são meio burrinhos. É um absurdo, numa língua que 40% das palavras mais utilizadas são estrangeiras eles não terem capacidade pra formar uma frase decente em inglês. Eu até entendo que os mais velhos não tem essa capacidade, porque na sua vida inteira, só agora está sendo utilizado o inglês, mas os adolescentes! Eles têm contato com o inglês o tempo inteiro.

Os adolescentes são muito infantis, e são meio bobões também. Eles fazem aquelas brincadeiras idiotas, que criança adora. Durante a aula alguém faz alguma coisa idiota e todo mundo ri, daí eu fico com aquela cara né? Tipo, isso não é engraçado, é idiota! Tem um moleque na escola que chega pra mim e fala "Avatar" com uma voz esquisita e os outros garotos riem. Daí eu fico tipo, porque vocês estão rindo DISSO?

Uma coisa que eu reparei que não é só na família que eu vivo, mas com todos os outros japoneses, é que o dente não é a pior coisa no corpo deles. Tá certo que o negócio é de enfartar dentista, mas a unha dos japoneses é um negócio absurdamente nojento. Eles não cortam a unha direito e não limpam também. Fica cheio de sujeira embaixo e dá ânsia de vômito só de ver. Pelo bem da sociedade eu não vou comentar sobre as unhas do pé. As mulheres cortam as unhas, ao contrário da maioria dos homens, mas não cuidam. No Brasil, é normal as mulheres passarem uma base ou sei lá o nome daquele esmalte sem cor, que deixa a unha com cara de bem cuidada, mas aqui não, ela é suja e mal cuidada. Manicure qualquer cometeria suicídio aqui...

A unha do garoto da família é muito esquisita. Ele por alguma razão corta todas as unhas (acho que só de vez em quando), menos a unha do dedo indicador de uma das mãos (não lembro qual). E não é que ele se esqueceu de cortar da última vez, a unha parece que não é cortada há uns três anos. Eu conheço casos de gente que toca violão ou guitarra e deixa a unha do polegar sem cortar, pra ficar mais fácil de tocar, mas isso aqui já é estranho demais.

Abraços nipônicos, João.

Boas maneiras

Vou falar um pouco sobre as boas maneiras dos japoneses.

Bom, eu não sei se é só na minha família (já que a minha família é meio porca), ou se isso é comum entre os japoneses, mas, pra nós brasileiros, os japoneses são bem nojentos.

Durante o dia, eles arrotam e peidam normalmente, tipo, eu estou andando na rua, me dá vontade de peidar e eu solto um peido. Estou jantando, me dá vontade de arrotar, eu arroto. É muito nojento, e eu descobri que todo mundo faz isso. Arrotar eu digo, peidar só em família. Que nojo.

Na mesa, tem umas frescuras do tipo, antes de comer tem que falar "itadakimasu" e depois de comer tem que falar "gochisosamadeshita", mas não é falta de educação fazer barulho enquanto se come. Imagina alguém comendo de boca aberta (eles comem), só que, além disso, fazendo barulho de mastigação. Eles também fazem barulho do tipo alguém chupando macarrão ou sopa. Só que, em tudo que eles comem. Ah, eles também lambem os dedos, tipo aquela coisa que sua mãe não te deixa fazer porque é falta de educação. Agora imagina tudo isso junto com arrotos. Não é legal certo?

Quando eles mascam chiclete, eles fazem aqueles barulhos bem irritantes, porque eles mascam de boca aberta.

Não tirar os sapatos antes de entrar em casa, segundo os japoneses, é um absurdo, porque você está levando sujeira da rua pra dentro de casa. Em toda moradia tem um lugarzinho na entrada na casa, é tipo um degrau e você tem que tirar os sapatos lá.

Abraços, João.

Orientação

Nesse post eu vou falar um pouco sobre as coisas que aconteceram na orientação antes de eu chegar na família.

A orientação é tipo uma reunião com os voluntários e todos os outros intercambistas do AFS antes de ir pra família. É super legal, porque tem pessoas do mundo inteiro. A experiência teria valido a pena só por causa da orientação.

Eu saí do Brasil dia 22 de março, junto com outros três intercambistas brasileiros: Gustavo, Rodrigo e Caio. O inglês dos três era péssimo.

A viagem do Brasil até a Alemanha foi bem tranquila, porque eu dormi a maior parte da viagem. Quando chegamos ao aeroporto de Frankfurt, ficamos um tempinho lá e tal, e achamos que éramos os únicos intercambistas que íamos encontrar. Pééé. Errado.

No portão de embarque, encontramos uma garota que veio até a gente. O nome era Camila, e ela é da Bolívia. Ela ficou super aliviada quando nos viu, principalmente porque ela poderia falar em espanhol com alguém! Conversamos um pouco com a Camila e logo depois, apareceram uns 24 intercambistas alemães! O primeiro que eu notei foi um garoto chamado Magnus, que parecia querer ser o líder da expedição. O inglês dele era muito bom.

No avião eu fui o responsável por coletar todos os e-mails e nomes. As pessoas que eu mais me lembro do avião foram o Magnus, a Jana, a Jelly, a Marie, a Marie Christine, a Tamara, o Tobias e o Vincent.

A Jana era uma maluquinha que não parava quieta. A Jelly era bem calminha, mas depois, no ônibus, ela começou a conversar. A Marie também era outra maluca. A Marie Christine era mais normalzinha e nós passamos um tempo conversando, ela estava mais interessada em conhecer os outros países. Eu não conversei muito com a Tammy (Tamara) no avião, mas depois nós nos conhecemos mais. O Tobias era meio bobão, e o pessoal da Alemanha não gostava muito dele, mas eu achei ele legal. Eu não falei muito com o Vincent no avião, mas depois, quando nós fomos pra Osaka, ele virou o meu melhor amigo estrangeiro.

Depois de chegar no aeroporto, fomos levados para um hotel em Tokyo. O hotel era super modernoso e cheio de coisas diferentes.

O almoço foi em um salão grande e cheio de gente de outros países. Eu lembro de ter conhecido gente do Laos, umas garotas um pouco tímidas. Uns garotos do Vietnã e da Malasia. Eu lembro de uma garota malasiana que era super gente boa. Todos a chamavam de Tee, porque ninguém conseguia falar o nome dela. Também lembro da Giverny, que era australiana, e uns outros. Nesse momento nós fomos divididos em 3 grupos: os que iam pra Osaka, os que ficariam em Tokyo e os de Nagoya. Felizmente eu era o único brasileiro de Osaka. Nós pegamos um onibus e passamos umas 8 horas até chegar em Osaka. No ônibus eu fui sentado na parte de trás, com o Vincent, a Tammy, a Marie e a Jelly. Não sei porque, mas eu fiz muita amizade com o pova da Alemanha. Eu também conversei um pouco com uma Colombiana que era meio folgada. Ela não falava inglês, então queria que eu traduzisse tudo pra ela, já que eu falava espanhol e inglês... e alemão e português e japonês. Esses dias foram meio cansativos, porque eu não aguentava mais falar em outras línguas. Agora eu já me acostumei. Estou até pensando em inglês.

Quando nós chegamos no hotelzinho em que o pessoal de Osaka ia ficar, eu dividi o quarto com outros 5 garotos: o Gupta, que era um nepalês que não conseguia falar inglês muito bem, o Daeho, um neo-zelandês muito mala, o Yubaba que era um sueco maluco, que tinha cabelo roxo e usava headphone da Hello Kitty, o Ryan, que era americano e muito legal, e, felizmente, o Vincent.

No hotel, cada quarto e cada grupo (eu e o Vincent eramos do grupo 2) tinha o seu staff. O do meu quarto era o Harry, um japonês que tinha feito intercâmbio na Alemanha. No grupo, os staff eram o Harry e a Pa-Co. Ah, sabe porque Harry? Harry Potter. Ele era quase o Harry Potter japonês.

Dormimos no dia que chegamos e no dia seguinte teve um monte de atividades. Tava bem frio e nós fomos ao ar livre...

No dia seguinte nós fomos embora à tarde para o aeroporto, onde a galera de Miyazaki pegou um avião para Miyazaki-shi e encontrou sua família. No avião eram 5 pessoas: eu, o Vincent (que aliás está na mesma cidade que eu, ainda bem), o Ryan, a Sarah (se lê sarra), uma alemã meio, digamos, personalidade forte e a Tchuria (acho que é assim que se escreve), uma finlandesa.

O Ryan e a Tchuria vão estudar na mesma escola. Que sorte! Eu e o Vincent estamos na mesma cidade, mas não na mesma escola.

Abraços, João.

De volta dos mortos

Olá!

Bem eu tive alguns probleminhas com a internet, então eu não consegui postar por um tempo. Mas, antes tarde do que nunca! Aqui vai um post que eu escrevi no Word enquanto estava sem internet (aliás, todos os posts vão ser mais ou menos desse jeito, meio gigantes):

Caramba, como os japoneses comem! Em todas as refeições eles comem um monte. Mas o que mais me surpreendeu foi o café da manhã. Eles comem uma tigela de arroz, uma tigela de sopa, mais repolho, mais ovo, mais salsicha... E não bebem nada!

Bom, esse café da manhã que eu falei foi do primeiro dia, agora eles resolveram comprar pão pra mim. Ainda bem, eu não curto muito comer repolho no café da manhã.

Eles dizem que eu como pouco. Bom, pra um japonês com certeza, mas eu acho que ando comendo pouco mesmo. A comida daqui não é muito boa (sim, eu sei que eu tenho que me adaptar). A comida que a Mitsue (minha host mother) faz tem sempre o mesmo gosto. Tudo leva o mesmo tempero meio sem-graça, ela sabe fazer um monte de coisas diferentes, mas tudo tem o mesmo gosto, sempre.

Decidi fazer desse post um post sobre comidas, então lá vai.

Eles não comem muito peixe aqui não. Embora o Japão seja uma ilha e não tenha espaço pra criar nada que ande (muitas vezes nem espaço pros humanos), eles comem muita carne de frango e de porco. Mesmo aqui no Japão peixe custa caro. Eles dizem que custa quase tanto quanto carne bovina, que eles quase não comem também. Peixe tem só de vez em quando, mas mesmo assim é comem bem mais que o brasileiro. Como a carne de porco e frango é mais barata eles comem muito.

Muita coisa empanada também. Aqui quase todo dia tem alguma coisa frita. Aliás, eu já comi coisas que eu nem sabia que dava pra fritar. Já comeu ostra frita? Eu já. Não é muito bom não... Eu não estou engordando, mas com esse tanto de fritura, quando eu voltar pro Brasil Não vai ter sangue mais, vai ter só colesterol.

Eles estão surpresos na verdade com a quantidade de líquido que eu bebo. Durante o almoço no restaurante, eu tomei 4 copos de refrigerante. Poxa era refil e eu tava com muita sede!

Vou postar um monte de coisas em seguida, então tentem ler tudo, por favor. Obrigado gente!

Abraços, João.

terça-feira, 30 de março de 2010

terça-feira, 23 de março de 2010

Dia 2

Olá gente!
O segundo voo foi bem mais cansativo. E ao mesmo tempo bem mais legal. Eu conversei um monte com os alemães, peguei contato de todos... Foi muito legal. Além deles , também tem a Camila, uma boliviana muito gente boa que também tá nessa viagem.

Teve uma hora no avião que eu quase quis pular. as horas não passavam, eu tava super apertado no banco e não tinha nada pra fazer. Não consegui dormir também, mas isso faz sentido, afinal o que seria madrugada para os japoneses, era a minha tarde. Agora que eu estou escrevendo isso (14:50) estou com muito sono.

nem acreditei quando finalmente desembarquei no Japão, uma mistura de confusão, alegria e sono, meio esquisito, mas tudo bem. Logo depois que nós achamos o AFS fomos direcionados para um hotel, onde nós vamos passar a noite.

Quando eu cheguei aqui no hotel onde eu estou em Tóquio, tinha um almoço com TODOS os intercambistas que estão no Japão pelo AFS. É muita gente! Conheci uns camaradas do Vietnã, da Malásia, de Laos, do Chile:
Argentina, Bolívia, Colômbia, Suíça, Suécia, Dinamarca, Alemanha, França, Austrália, e uns outros que eu não lembro o nome.

Uma coisa que me deixou muito cansado foi a língua. eu tenho que falar português com os brasileiros, espanhol com a Camila, inglês com todo o resto, alemão com alguns dos alemães, e ainda por cima me esforçar pra aprender japonês. Volta e meia eu me pego falando a língua errada com a pessoa errada. Normalmente eu estou falando em espanhol com a Camila e acabo falando em espanhol com os alemães também. Ou inglês com a Camila ou um dos brasileiros. Mas o pior é quando você nào percebe que está falando uma língua que a pessoa não entende. Dá uma vergonha.
Uma coisa esquisita, é que quando algum oriental me pede pra falar alguma coisa em português, ele acha super difícil. Tipo, obrigado em Laos é hdjasfbdnbfa e em português é... obrigado. Eles olham pra você como se obrigado fosse muito mais difícil que em Laos.

Agora eu estou no meu quarto, onde eu deveria estar descansando um pouco. mais tarde vai ter o jantar.

Até amanhã.

Abraço. J.O.
Dia 1


Olá pra todos! Estou postando a escala entre a Alemanha e o Japão ok?

O voo foi bem tranquilo, bem longo, mas como eu dormi na maioria do tempo...

Tirando o alemão mal-humorado do meu lado, algumas turbulências e a gororoba nojenta que me serviram no café da manhã, o voo foi um beleza.

Estou acompanhado de três brasileiros que também são do AFS.

Peguei um refrigerante na Alemanha (que é mais gostoso que no Brasil), e fui pra sala de espera.

Achei que fossemos só nós 4 indo pro Japão, mas chegou uma menina boliviana falando em espanhol e disse que também era do AFS e ia pro Japão.

Aí quando eu achei que só ia aquele grupinho mixuruca, chega um grupo com 25 adolescentes alemães. Cara, eu achei o máximo. Fui conversando com eles até chegar.

pra encerrar esse dia eu vou por pra vocês a foto da gororoba.

Abraço e até amanhã.

J.O.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Então gente...

A viagem é hoje! Ainda estou em casa e nem sai pra ir ao aeroporto ainda...

O mais estranho, é que hoje é o aniversário da minha mãe. Presentão né?

Acho que vou demorar um pouco pra postar de novo, afinal, são 24 horas de viagem certo?

Mas se eu conseguir postar enquanto eu faço conexão na Alemanha eu posto. Mas pense assim: pelo menos o próximo post já vai ter alguma interessante do outro país.

Abraços pessoal!

terça-feira, 16 de março de 2010


Ah, pra quem quiser fazer o mesmo tipo de intercâmbio, é só entrar em contato com o AFS mais próximo.

http://www.afs.org/

Eles estão por todo o Brasil e fazem intercâmbios de várias durações e pra vários países diferentes.

J.O.

A proposta

Bom, a minha viagem tem um objetivo: eu quero trocar aprendizados e culturas em outro país.
O nome disso é Intercâmbio Cultural. Eu, por meio de uma ONG, chamada AFS, vou viver na casa de uma família que aceitou "me adotar" por um tempinho. O que eles recebem em troca? Toneladas de dinheiro. Brincadeira. Eles recebem experiência. Aliás, nós recebemos.
O objetivo desse blog, é na verdade... bem, ele... ééééé... Não tem muito um objetivo definido. Acho que é mais trocar experiências com os leitores, assim como eu vou trocar com a família.
Então, quem quiser me acompanhar, seja muito bem vindo. Vou viajar em 6 dias. Até mais.

J.O.

Introdução

Bem vindos ao meu (primeiro) Blog.
Antes de qualquer coisa, às apresentações:
Meu nome é João, tenho 15 anos e a partir do dia 22 de março, eu não estarei mais no Brasil. Isso mesmo. Eu vou ficar até o dia 6 de fevereiro do ano que vem em um país que eu nunca estive, com uma cultura absurdamente diferente da nossa, com uma língua que eu não falo quase nada, na casa de uma família que eu mau conheço, sendo que todos eles são Japoneses, que mau falam inglês. Sim, eu vou morar 1 ano no Japão.