terça-feira, 27 de abril de 2010

Cinto de segurança, sorvetes e o Brasil.

Quando a gente estava na perua, voltando do shopping, eu estava na segunda fileira do carro, e como sempre, coloquei o cinto de segurança. O meu host cousin, me disse que não precisava, daí eu falei que era importante e perigoso. Ele riu. Quando a gente estava na estrada, a motorista teve que frear em cima, e adivinha o que aconteceu? Ele foi pra frente e bateu a cabeça no banco. Ele não se machucou, mas eu tive aquela sensação: trouxa, eu te avisei... Mesmo assim ele não colocou o cinto. Paciência. O retardado não sou eu mesmo...

Outro dia tive uma decepção bem grande. Eu, pela primeira vez aqui, tive vontade de comer alguma coisa, um sorvete que eu tinha visto em uma vending machine (sim, aqui eles vendem sorvetes em vending machines!), e eu pensei que tinha dinheiro. Coloquei a mão no porta moedas e achei 29 yenes, o que vale um pouco menos do que uma bala de menta e um punhado de cocô. O sorvete custava 120 yenes...

Uma coisa que me incomodou um pouco na orientação foi que toda vez que eu falava que era brasileiro, as pessoas olhavam pra mim tipo: "porque você não é preto?". As pessoas não têm noção nenhuma de como é o Brasil. Eles achavam que os brasileiros tinham que ser moreninhos e festeiros. Quando eu estava no ônibus, o povo da Alemanha me falou como eles achavam que é o Brasil: festa todo dia, meninas de biquíni o tempo inteiro, praia, sol. OK, quando se vai pra praia, é mais ou menos assim, só que o Brasil não é só praia né? As pessoas criam estereótipos pra descrever cada país e começam a achar que todo mundo do país é daquele jeito. Outra coisa, o Brasil é enorme, e tem bastante desigualdade. Os meus hábitos não são os mesmos do que no resto do Brasil. As pessoas tomam o Brasil como uma coisa só. Uma alemã me disse que na aula de geografia eles estavam aprendendo sobre a "máfia" brasileira, ou seja, os traficantes de drogas. Me deu uma certa vergonha.

Aqui no Japão é meio esquisito, porque TODO MUNDO sabe que eu sou estrangeiro. No Brasil, se você vir um japonês, vai pensar que ele é brasileiro facilmente. Aqui, se você me vir, não tem como pensar que eu não sou estrangeiro. Eu acho estranho, porque aonde eu vou, as pessoas olham pra mim. Pelo menos os adultos olham e viram a cabeça logo, pra não ficar incomodando, mas as crianças olham, e reparam, e comentam com as outras crianças. Outro dia eu fui assistir as crianças jogando baseball em um campinho perto de casa. As crianças ficavam dando tchauzinho, olhando, comentando... O pior é que não dá nem pra entender o que elas estão comentando.

Abraços, João.

3 comentários:

  1. Huahauhauah muito bom o do cinto de segurança!

    É, esse negócio do estereótipo é assim mesmo. Não sabemos como são cada uma das pessoas de outros países, então acabamos criando estereótipos com base no "mais comum" ou, em alguns casos, com o que tem de extraórdinário naquele lugar.
    O que vemos na televisão e etc são as coisas boas ou ruins. Assim como não é todo mundo da África que passa fome, nem na rua da Índia as mulheres andam com aquelas roupas de dança, aqui no Brasil não moramos na floresta pq temos uma floresta enorme, e nem moramos todos na praia e n fazemos mais nada da vida...

    Ah não ser que a visão seja ampliada e se conheça novas culturas, a mente fica fechada e só vê estereótipos!

    ResponderExcluir
  2. Claro que vão saber que você é estrangeiro,Johnny...
    Pra começar,já reparou que sempre que algum jornal brasileiro faz uma reportangem no Japão,sempre vai um camera japones,produtores nipônicos,a reportaer japa,e o pessoal intero é japones.
    E vc,um "loiro-do-olho-azul" no meio de olhos puxados,chama muita atenção...
    ahushuauhsuha

    bjoos brasileiros!

    ResponderExcluir
  3. Interessante vc falar em estereótipos, cuidado com os comentários que vc fez em alguns posts.

    Vc pode estar formando um por estar vivendo com uma familia de um lugar do Japão. O japão, apesar de não ser um país grande, tb tem suas diferenças regionais assim como aqui no Brasil.

    Ao contrario do que dizem, japonês não é tudo igual.

    ResponderExcluir