segunda-feira, 19 de julho de 2010

Japanenglish

O mais engraçado é tentar descobrir o que os japoneses estão tentando falar em inglês.

Eu coloquei algumas palavras em romaji, então leia do mesmo jeito que você leria em português. Lembrando que o "r" tem som da palavra "cara" e o "h" do erre na palavra "rato". Tentem cobrir a coluna da esquerda antes de ler a "tradução". Boa sorte.

A seguir o primeiro dicionário para traduzir o inglês dos japoneses:

Shistemu – System.

Donmai! – Don't mind!

Raki! – Lucky!

Naisu! – Nice!

Hapi Basudei! – Happy Birthday!

Wan Tsu, Wan Tsu – One Two, One Two

Harô! – Hello!

Shi a! – See you! (Até logo!)

Gudo – Good

Raiburari – Library

Mas – Math

Supikingu – Speaking

Warukingu – Walking

Hosto Maza – Host Mother

Hosto Faza – Host Father

Hosto Buroza- Host Brother

Hosto Shista – Host Sister

Warudo – World

Surira – Thriller (Eles se referem àquela música do Michael Jackson...)

Amburera – Umbrella

Mansu – Month

Uiku – Week

Sorii! – Sorry!

San Kyu! – Thank You!

Saito Siingu – Sightseeing

Samaacampu – Summer camp

Curaudo – Cloud

Rocu – Rock

Mudiki Rumu – Music Room

Hea Sutaila – Hair Styler

Por enquanto é isso. Aguardem por mais edições.

Abraços, João.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Cabeleireiro

Fui ao cabeleireiro outro dia.

É claro que o meu cabelo ficou um lixo. A mulher que cortou é uma amiga da minha host mother, que tem um salão aqui perto.

É claro que até o cabeleireiro tem que ser diferente aqui.

Cheguei lá, aquele papinho de sempre, ela me levou pra lavar o cabelo. Sentei em uma cadeira e ela começou a reclinar. Óbvio que meus pés sobraram pra fora da cadeira, mas tipo, foi quase metade da perna. Então quando ela foi lavar a minha cabeça, ela cobriu meu rosto com um lenço de papel! Hein? Sim, um lenço de papel bem na minha cara, enquanto ela lavava meu cabelo. Pelo menos tinha um cheirinho bom.

Depois ela foi cortar o meu cabelo de verdade... Com uma navalha! Ninguém nunca tinha cortado meu cabelo na navalha, porque eu tenho cabelo fino. Ela até entendeu o corte que eu queria, mostrei uma foto pra ela de como era o meu cabelo antes. Só que ela cortou de um modo japonês, desfiando tudo na navalha. E o pior foi que depois ela ainda tentou fazer um penteado japonês em mim, do tipo que os garotos na minha sala usam... Não obrigado. Esses penteados japoneses... São... São... Bizarros! Eles alisam na frente, fazendo uma franjinha escrota e depois arrepiam atrás, mas arrepiam de um jeito esquisito, arrepiando tufos inteiros de cabelo de uma vez... A coisa mais próxima de uma descrição pra isso seria como se eles tivessem uma coroa atrás da cabeça, os tufos arrepiados. Pena que eu não posso postar fotos dos meninos da minha sala no blog, então fica meio difícil de vocês verem.

Abraços cabeludos.

sábado, 19 de junho de 2010

Twitter Japonês

Os japoneses não precisam de um Twitter.
A vida deles é um twitter. O tempo inteiro exclamando coisas como: Atsui! (quente), Itai! (dolorido), Samui! (frio), Umai! (habilidoso).

E eles nem falam isso pra alguém específico, eles só falam alto pra quem quiser ouvir.

Twitter pra quê?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Sashimi

Fizeram uma puta sacanagem comigo.

Fui almoçar na casa da minha tia japonesa outro dia e teve sukyiaki. É um prato tipo japonês em que você quebra um ovo em uma tigela e coloca verduras, cogumelos, macarrão e iscas de carnes recém cozidas e come. Não estava muito a fim de comer ovo cru, mas experimentei mesmo assim. Não é muito gostoso por causa do ovo cru.

Então me ofereceram sashimi. Coloquei umas fatias em um pratinho com shoyu e comi. Achei estranho que esse sashimi estava temperado com cebolinha e outras coisas e era bem duro, com um gosto estranho.

Então eu perguntei que peixe que era.

Não era peixe.

Era frango.

ME DERAM FRANGO CRU PRA COMER SEM EU SABER!

Eu gosto de saber o que são as coisas que eu vou comer, sabe? Eu sei que eles não mentiram, falaram que era sashimi, e era, só que de frango. Eu achei que era de peixe, oras! Eu achei uma puta sacanagem, eles deviam ter me avisado antes. Cara, era frango cru! Não tinha como saber que era a não ser que eles falassem, eles tinham a obrigação de ter me avisado que era diferente. Ainda mais FRANGO CRU!

O gosto nem era nada tão ruim, tinha gosto do tempero que eles tinham colocado, mas porra, não importa o que fosse, não se come frango cru no Brasil! Eu não consigo me imaginar comendo frango cru de novo, é uma coisa nojenta, repugnante! Sabe aquelas horas que você pensa em virar vegetariano? Então...

E ainda me contaram da variedade de sashimis que existem por aqui. O sashimi de carne bovina, o de carne de frango, o de carne de cavalo (WTF!?), o de baiacu (que pode ser venenoso caso alguém prepare errado), e o de baleia.

Sinto muito, eu não comeria nenhum desses. O de carne bovina depende de como é preparado, porque eu gosto de carpaccio, que são fatias MUITO fininhas de carne bovina, normalmente com um molinho de alcaparras em cima. Mas sashimi é diferente, as fatias são grandes. Acho que nem rola.

O de cavalo eu acho que eu não comeria. Cara, cavalo! Não é o tipo de animal que eu penso quando penso em comida.

O de baleia eu não comeria por motivos ecológicos. Afinal, existem pouquíssimas baleias no mundo, e eu não estou a fim de contribuir para a matança delas só pra poder experimentar a carne delas. Acho muito cruel e desumano matar um bicho em extinção só pela curiosidade de experimentar a sua carne. Isso é muito típico do ser humano, pensando só em satisfazer a sua vontade de comer baleia, sem pensar nas consequências.

E aquelas pessoas que pensam: mas já tá morto, que diferença faz? Mas você contribua dando dinheiro para os desgraçados que vão lá matar outras. Se alguém me oferecer carne de baleia, vai ser nisso que eu vou pensar, que eu estou matando uma baleia.

Então, se alguém te oferecer sashimi, principalmente se essa pessoa for japonesa, tome cuidado, eles podem não estar te oferecendo peixe cru.

Fica a dica.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Doces japas!

Ah, os doces japoneses!

Existem os doces que você achava que não iam ser muito bons e são uma delícia, e os doces que você acha que devem ser bons e fazem você ter vontade de nunca ter posto aquilo na boca.

Os doces japoneses são melhores que os brasileiros? Sim e não.

Em questão de doces tradicionais, feitos artesanalmente, os doces brasileiros dão de 10 a zero. Afinal, cocada, doce de leite, goiabada, brigadeiro, doce de abóbora, arroz doce, bolos diversos e outros não podem ser piores do que doce de feijão. Sim, o feijão japonês é diferente do feijão brasileiro. Aqui os grãos têm o dobro do tamanho e são doces. Eu comi outro dia um doce que era uma massinha em formato de peixe (Hein?) com recheio de feijão dentro. Eu não consegui comer nem metade...

Também teve uma vez que eles compraram um rocambole e tinha um recheio marrom. Aí eu já me animei: rocambole de chocolate, certo? Não, rocambole de feijão. O gosto não era tão ruim, o pior foi a decepção. Também tem um sorvete de feijão aqui. Eu, claro, resolvi experimentar. A parte de baunilha que envolvia a massa de feijão era uma delícia. Já o feijão...

Por outro lado, esses docinhos porcarias, que são industrializados e têm mais corantes que açúcar são MUITO bons. Eles viciam! Outro dia eu comprei uns ¥600 em docinhos. Isso dá uns R$ 12 mais ou menos.

Eu já comi umas balinhas do Elmo, puxa-puxa sabor refrigerante, um negocinho chamado "Pucho Bo-ru" que são umas bolinhas doces e mais um monte. O melhor dos doces chama "aisu no mi". É tipo um sorvete, em formato de uma bola (do tamanho de uma bolinha de gude), que é totalmente sólido, mas assim que você põe na boca, ele vira um sorvete normal, geladinho, a mesma textura e é muito gostoso. Vem em uma embalagem de papel alumínio pra não esquentar.

Abraços açucarados, João.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Necessidades japonesas

Descobri que no meu banheiro tem um Warmlet.

O Warmlet é um aparelho que esquenta o assento da privada a aconchegantes 43°. Assim, o seu popô não passa frio enquanto você faz as suas necessidades. Mas ainda assim não é uma daquelas super-privadas japonesas, com computadorzinho e tudo. Isso tem no banheiro de baixo. De qualquer modo, eu fui ver só como funciona. Quando você termina de fazer as suas necessidades fisiológicas, você aperta um botão, que solta um esguichinho de água morna para limpar o seu bumbum. Existe o botão para mulheres também. Você ainda pode ajustar a intensidade.

Outro dia eu vi no shopping um conjuntinho de mini golfe pra você colocar no banheiro, em volta da privada, assim você pode jogar golfe enquanto faz cocô.

Maravilhoso.

Agora, você deve se perguntar: quem compraria um conjunto de golfe para usar no banheiro?

Resposta: os japoneses. Sem mais comentários.

Abraços, João.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Aniversário

Anteontem, foi meu aniversário. Normalmente, quando chega o meu aniversário, eu fico feliz, animado, pensando que aquele foi o dia feito pra mim. Aqui, eu fiquei meio deprê. Eu não sei explicar bem o porquê, mas parecia que não era o meu aniversário. Eu tive que ficar me lembrando que era o dia inteiro. Acho que é porque é o primeiro aniversário que eu passo longe de casa, talvez seja isso.

De manhã a minha host mother me falou parabéns. Ainda bem né? Mas de qualquer modo, falou só os parabéns e eu fui pra escola. Ainda bem que ninguém na escola lembrou. Não sei por que, mas eu não queria que ninguém lembrasse. O único garoto que poderia lembrar, o Akira, ficou com febre e não foi pra escola.

Depois, quando eu voltei pra casa, ela falou que ia ter um bolo, depois que os primos voltassem do caratê. Como eles moram muito perto, tudo se faz junto, então não era bem uma festa, mas sim acender uma velinha e cantar parabéns, acho que isso deve ser uma coisa normal em qualquer cultura. Então, a verdade foi: não teve festa. Bom, eu até que esperava isso, eu nem tenho amigos pra fazer festa, e festa é uma coisa cara.

Mas teve uma coisa que eu não esperava: eu não ganhei presente nenhum.

Eles acenderam 16 velas e cantaram a musiquinha. Eles cantam do mesmo jeito que no inglês. A única diferença é que no final eles falam "Omedetou tandyoubi!".

Daí eu apaguei as velinhas e fui cortar o bolo. De baixo pra cima é claro, pra não dar azar. Todos eles olharam com aquela cara de besta quando eu cortei o bolo de baixo pra cima. Aí eu percebi que esse costume na verdade era brasileiro. Nunca tinha pensado nisso.

Não esse negócio de primeiro pedaço vai pra quem aqui. E quando eu fui servir o bolo, eu coloquei a fatia de lado no pratinho, e todos eles olharam abismados pra mim. Oh! Como assim, a fatia está tombada? Aí eles me falaram que aqui no Japão tem que colocar a fatia com o topo do bolo pra cima, ou seja, de pé. Tá bom né? Frescura.

O foda foi comer o bolo. Na verdade, não que eu acho que o bolo devia ser um bolo ruim, mas eu não gosto de bolo com chantilly, morango, recheio de creme e todas aquelas frutas que estragam o bolo em cima. Na verdade, todos os meus bolos de aniversário foram de chocolate, ou chocolate com doce de leite, ou qualquer outra coisa do tipo. Eu sempre preferi também. Mas eu não queria fazer desfeita, ofender quem comprou o bolo e desonrar a família, então eu comi o bolo. Fazendo cara de feliz ainda. No bolo tinha uma plaquinha comestível com o meu nome escrito. Em japonês.

Abraços de 16 anos, João.